“- Boa noite.
- Pra você também.
- Você tem muito que aprender ainda.
- Do que você tá falando?
- Nada. Esquece.
- Agora fala.
- Não vale a pena.
- Então tá.
- Tá vendo…
- Vendo o que?
- É isso que me irrita!
- Não to te entendendo.
- Ninguém entende.
- Então me explica.
- É que você não entende as entrelinhas. Você não percebe quando a pessoa tá te dando brechas. Você é muito idiota pra isso.
- Continuo sem entender.
- Meu Deus! Como você é idiota, ou se faz.
- Vai me explicar ou me agredir?
- É que quando eu te desejo boa noite, eu quero que você me peça pra ficar, que me pergunte “mas já?”… Sei lá, que fale qualquer coisa que dê a entender que sou importante pra você, que dê a entender que falar comigo é uma coisa boa.
- Agora entendo.
- Bem… É isso… Boa noite.
- Mas já?
“[…] jurou de pés juntos jamais me esquecer, e olha só hoje, esqueceu até mesmo o meu nome, e faz questão de dizer pra todos que eu me chamo passado.
“Era a primeira vez que tínhamos nos visto. Eu fiquei encantado, paralisado. Não falei nada. O meu silêncio poderia conversar com o seu. Não tínhamos nada a dizer, e não queríamos dizer nada. Aquele silêncio parecia uma abertura para o melhor, para tudo de bom que haveria de vir ao nosso encontro dali pra frente. Por isso eu quis permanecer em silêncio, eu sabia que aquele brilho nos seus olhos significava muito mais do que qualquer contato feito por palavras. Eu precisava te tocar, mas não queria me mover e atrapalhar tudo que o mundo havia montado para nós ali, naquele momento. Eu segurei por segundos a respiração, pois nenhum ruído poderia atrapalhar a sintonia que havia em nossos olhares. E todo aquele tempo sem mencionar uma palavra, resultou numa só expressão: Dois sorrisos, que permaneceram pelo resto do dia.